
uma Arquiteta aproximou-se e disse
Fala-nos das Casas.
E ele respondeu, dizendo:
Na vossa imaginação construí um abrigo na floresta antes de construir uma casa dentro da cidade.
Pois assim como tem vontade de regressar ao por-do-sol, também o
errante que existe em vós
sempre distante e solitário o tem.
A vossa casa é o vosso corpo em ponto grande.
Cresce ao sol e dorme na quietude da noite; e tem sonhos.
A vossa casa não sonha? E ao sonhar não deixa a cidade e vai para os bosques e colinas?
Pudesse eu juntar as vossas casas na minha mão e espalhá-las
pelas florestas e pelas planícies.
Os vales seriam as vossas ruas, e os caminhos verdes as vossas avenidas,
e procurarieis uns pelos outros nas vinhas e trariam nas vossas roupas a fragrância
da terra.
Mas ainda não chegou o momento dessas coisas acontecerem. Os vossos
antepassados, com receio, fizeram-vos permanecer juntos.
E dizei-me, povo de Orfalés, que tendes vós nessas casas? Que
guardais vós a sete chaves?
Tendes a beleza que conduz o coração das coisas modeladas em
madeira e pedra à montanha sagrada?
Ou só tendes conforto e o desejo do conforto?
essa coisa que entra na vossa casa como hóspede e logo se transforma
em dono e depois se apossa de tudo.
E, embora cheia de resplendor, a vossa casa não reterá o vosso segredo nem abrigará a vossa aspiração.
Pois aquilo que é ilimitado em vós Habita a Mansão
do Céu,
cuja porta é a neblina matinal e cujas janelas são os cânticos
e os silêncios da noite.