
O Bem amado, esperara doze anos na cidade de Orfalés pelo navio que havia de o recolher e levar de volta à sua ilha natal.
E no décimo segundo ano, no sétimo dia, subiu à colina sem muralhas e pôs-se a olhar para o mar; e viu o seu navio aparecer com a bruma.
Então as portas do seu coração abriram-se e a sua alegria voou longe sobre o mar.
E ele fechou os olhos e orou no silêncio da sua alma.
Mas enquanto descia a colina, apoderou-se dele uma grande tristeza e pensou com o coração: Muitos foram os dias de dor que passei dentro das suas muralhas e muitas foram as noites de solidão; e quem pode separar-se da dor e da solidão sem mágoa?
De bom grado levaria tudo o que aqui se encontra. Mas como o poderei fazer?
Uma voz não pode transportar a língua e os lábios que lhe deram asas. Terei de procurar sozinho o etér.
E solitária e sem ninho a águia atravessará o Sol. Só respirarei mais uma vez neste ar imóvel, só mais um olhar de amor para trás.
Depois enquanto caminhava, avistou ao longe homens e mulheres que saíam dos campos e das vinhas e se apressavam em direção aos portões da cidade.
E ouviu as suas vozes chamarem-lhe o nome, gritando de campo para campo, anunciando uns aos outros a chegada do navio.


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